Inspeção térmica sob carga real numa feira de rua em funcionamento total identificou anomalia moderada nos disjuntores principais do quadro de distribuição.
Feira de rua, sábado, movimento no pico. Cada estande com seu ponto de energia ligado no mesmo quadro: chapa quente, fritadeira, iluminação, geladeira de bebida, todo mundo puxando carga ao mesmo tempo enquanto o pastel saía da fritadeira mais rápido do que a fila andava. É exatamente esse tipo de cenário que faz a inspeção térmica valer a pena: o quadro não estava em bancada de teste, estava no meio do expediente, sob a carga real de operação.
Instalações temporárias como essa costumam reunir várias cargas simultâneas num quadro compacto, muitas vezes montado com pressa e sem a mesma folga de projeto de uma instalação predial permanente. Um defeito térmico nesse tipo de sistema só aparece sob carga. Inspecionar com o quadro desligado não revelaria nada.
A câmera térmica registrou 45.2°C na região dos dois disjuntores principais, contra uma temperatura ambiente de 18.0°C no momento da inspeção. Isso dá um ΔT de +27.2°C acima do ambiente. O ponto quente aparece concentrado exatamente sobre os disjuntores que alimentam a maior parte dos estandes, coerente com o pico de consumo simultâneo da feira em pleno funcionamento.
Um Delta T de +27.2°C, comparado ao referencial técnico da NFPA 70B (Standard for Electrical Equipment Maintenance), foi classificado como anomalia térmica moderada: não crítica a ponto de exigir desligamento imediato, mas alta o suficiente pra indicar que algo no ponto está gerando mais resistência do que deveria. As causas mais prováveis nesse tipo de leitura são o estado dos contatos elétricos, bitola inadequada dos condutores pra carga conectada, ou carga total perto do limite de projeto do disjuntor. Bem plausível numa feira onde cada estande soma mais um ponto de consumo ao mesmo quadro.
Os disjuntores inspecionados ainda estavam dentro dos limites operacionais estabelecidos pela norma, sem risco imediato de falha catastrófica. Ainda assim, recomendamos uma inspeção detalhada dos contatos elétricos e do dimensionamento dos condutores, além de mais frequência de monitoramento térmico nas próximas operações do quadro, já que a carga tende a se repetir a cada evento.
A leitura, feita durante operação plena e classificada com critério, permitiu agir de forma preventiva: programar a inspeção detalhada antes que o mesmo quadro operasse sob uma carga ainda maior num próximo evento, em vez de descobrir o problema depois que ele já tivesse virado falha visível.
Uma inspeção térmica sob carga real identifica pontos de risco antes que virem falha.